
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Lua de algibeira
O poeta
Uma lua vestida

Ó nuvens desse rio,
Onde vais descarregar?
No cais ou num navio
Que corre tão devagar?
Vais por estrelas e mares
Que gritam e ferem ouvidos,
Não vás por aqueles oceanos
Onde crescem barcos esquecidos.
Barcos de sonho à vela,
Içada com cabelos de chuva,
Não quero ser uma ruela
A vaguear com pés de luva.
Não queres ser barco,
Não queres ser navio?
Foste condenado ao charco
De um rio já perdido
Quase perdido
Quase correu
Não existe, esse navio,
Por isso é que não morreu.
Navega nuvem, navega!
Navega nesta mentira,
Por rios que já morreram
E em barcos que se perderam.
Perderam-se barcos,
Perderam-se…
Inventaram-se barcos,
Nalguma alma nua
Que se veste e enfeitaComo a face de uma lua
Qem grita?*

O meu coração acordou de pijama,
Com as cigarras a cantar o meu diário,
Num mar de asas de lama,
No meu barco imaginário
Cantam, cantam, cantam
A canção que nunca houvera;
Uma canção que não se ouve
Sente-se na voz da Primavera.
A Primavera grita
A sua voz de canção que não ouve,
Grita flores,
Grita amores,
Mas que grita,
Nunca o soube.
Nunca o soube,
Pois não grita;
Gritam as flores por ela
Gritam, à paixão e ao amor
Que vive dentro dela.
Dentro dela da donzela;
Pois à Primavera não grita a flor!
Solta-lhe a voz pela janela,
Para poder espalhar amor.
Amor, amor Primaveril
Que a Primavera leva embora
Mas volta num cantil
De uma lágrima que já não chora.
Já não chora
Pois já calou.
A Primavera foi
E voz ficou…
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Se…

Se uma maçã é pecado,
É ser-se louco.
Se uma nuvem é um sonho,
É ser-se louco novamente.
Ah, meu ópio,
Minha vida!
Sorrir de nada,
Amor mudo.
Ainda que o seja
Eu ouço-o tão bem…
E escuto e respondo, flameja.
Ai, eu podia morrer:
Morria feliz!
Desnudado de dores ou aflições.
Assim,
Sorrindo de nada,
Sou ópio de corações.
Ainda sendo o ópio,
E sendo um nada, sou eu!
Só depois, ressacada,
O que sou não é meu.
Sou um ninguém
Que não sou nada,
Mas o que sou é meu,
Só no fim, ressacada
Sou alguém, um tudo, alguém.
Não me pertenço.
Ópio, só tu, sou eu.
Dói,
Não sei
Se existe,
Se pensa,
Mas dói.
Não pensar,
É ser pensamento,
Oh, ser tão como nada.
Isso é ser-se mais como tudo,
E menos louco.
Oh, a loucura está perdida!
É ser-se louco.
Se uma nuvem é um sonho,
É ser-se louco novamente.
Ah, meu ópio,
Minha vida!
Sorrir de nada,
Amor mudo.
Ainda que o seja
Eu ouço-o tão bem…
E escuto e respondo, flameja.
Ai, eu podia morrer:
Morria feliz!
Desnudado de dores ou aflições.
Assim,
Sorrindo de nada,
Sou ópio de corações.
Ainda sendo o ópio,
E sendo um nada, sou eu!
Só depois, ressacada,
O que sou não é meu.
Sou um ninguém
Que não sou nada,
Mas o que sou é meu,
Só no fim, ressacada
Sou alguém, um tudo, alguém.
Não me pertenço.
Ópio, só tu, sou eu.
Dói,
Não sei
Se existe,
Se pensa,
Mas dói.
Não pensar,
É ser pensamento,
Oh, ser tão como nada.
Isso é ser-se mais como tudo,
E menos louco.
Oh, a loucura está perdida!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Amores Relativos
Amores relativos
I
A noite e o relógio
Acordarei esta noite
No relógio de uma madrugada:
-Nunca vais dormir de noite,
Hás-de sonhar sempre acordada!
[o sonho que eu sonho À noite,
Acorda a poesia,
Deitada aqui ao lado]
Ela lança um pequeno anzol,
Eu pesco uns versos madrugadores
E assim, numa poesia de lençol,
Vão-me cantando uns cantadores.
Cantam brisas, ventanias,
Nenúfares e alegrias.
Cantam sapos, cantam rãs,
Cantam noites e manhãs.
Cantam o tudo e o nada,
Cantam toda a madrugada,
Embalando a poesia,
Depois chega o sonho, e eu,
Adormecia.
II
Era uma vez
Era uma vez:
A paixão de uma parede
E de um sapo que a pinta;
Quando ela tinha sede,
Ele pintava uns nenúfares de tinta.
A parede soprava cheiro
De flores e de jardim,
Mas por um engano feiticeiro
Soprou ao sapo e ao jasmim.
[que paixões tão loucas,
Que surgem como alecrins!]
O sapo e o jasmim
Agarraram-se àquela loucura
E construíram, de alecrim,
Um quadro e uma moldura!
[e viveram felizes para sempre].
I
A noite e o relógio
Acordarei esta noite
No relógio de uma madrugada:
-Nunca vais dormir de noite,
Hás-de sonhar sempre acordada!
[o sonho que eu sonho À noite,
Acorda a poesia,
Deitada aqui ao lado]
Ela lança um pequeno anzol,
Eu pesco uns versos madrugadores
E assim, numa poesia de lençol,
Vão-me cantando uns cantadores.
Cantam brisas, ventanias,
Nenúfares e alegrias.
Cantam sapos, cantam rãs,
Cantam noites e manhãs.
Cantam o tudo e o nada,
Cantam toda a madrugada,
Embalando a poesia,
Depois chega o sonho, e eu,
Adormecia.
II
Era uma vez
Era uma vez:
A paixão de uma parede
E de um sapo que a pinta;
Quando ela tinha sede,
Ele pintava uns nenúfares de tinta.
A parede soprava cheiro
De flores e de jardim,
Mas por um engano feiticeiro
Soprou ao sapo e ao jasmim.
[que paixões tão loucas,
Que surgem como alecrins!]
O sapo e o jasmim
Agarraram-se àquela loucura
E construíram, de alecrim,
Um quadro e uma moldura!
[e viveram felizes para sempre].
Subscrever:
Comentários (Atom)


