sexta-feira, 5 de junho de 2009

Se…


Se uma maçã é pecado,
É ser-se louco.
Se uma nuvem é um sonho,
É ser-se louco novamente.
Ah, meu ópio,
Minha vida!
Sorrir de nada,
Amor mudo.

Ainda que o seja
Eu ouço-o tão bem…
E escuto e respondo, flameja.

Ai, eu podia morrer:
Morria feliz!
Desnudado de dores ou aflições.
Assim,
Sorrindo de nada,
Sou ópio de corações.
Ainda sendo o ópio,
E sendo um nada, sou eu!
Só depois, ressacada,
O que sou não é meu.

Sou um ninguém
Que não sou nada,
Mas o que sou é meu,
Só no fim, ressacada
Sou alguém, um tudo, alguém.

Não me pertenço.
Ópio, só tu, sou eu.

Dói,
Não sei
Se existe,
Se pensa,
Mas dói.

Não pensar,
É ser pensamento,
Oh, ser tão como nada.
Isso é ser-se mais como tudo,
E menos louco.

Oh, a loucura está perdida!

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