
O meu coração acordou de pijama,
Com as cigarras a cantar o meu diário,
Num mar de asas de lama,
No meu barco imaginário
Cantam, cantam, cantam
A canção que nunca houvera;
Uma canção que não se ouve
Sente-se na voz da Primavera.
A Primavera grita
A sua voz de canção que não ouve,
Grita flores,
Grita amores,
Mas que grita,
Nunca o soube.
Nunca o soube,
Pois não grita;
Gritam as flores por ela
Gritam, à paixão e ao amor
Que vive dentro dela.
Dentro dela da donzela;
Pois à Primavera não grita a flor!
Solta-lhe a voz pela janela,
Para poder espalhar amor.
Amor, amor Primaveril
Que a Primavera leva embora
Mas volta num cantil
De uma lágrima que já não chora.
Já não chora
Pois já calou.
A Primavera foi
E voz ficou…

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