quarta-feira, 27 de maio de 2009

Amores Relativos

Amores relativos
I
A noite e o relógio
Acordarei esta noite
No relógio de uma madrugada:
-Nunca vais dormir de noite,
Hás-de sonhar sempre acordada!

[o sonho que eu sonho À noite,
Acorda a poesia,
Deitada aqui ao lado]

Ela lança um pequeno anzol,
Eu pesco uns versos madrugadores
E assim, numa poesia de lençol,
Vão-me cantando uns cantadores.

Cantam brisas, ventanias,
Nenúfares e alegrias.
Cantam sapos, cantam rãs,
Cantam noites e manhãs.

Cantam o tudo e o nada,
Cantam toda a madrugada,
Embalando a poesia,
Depois chega o sonho, e eu,
Adormecia.
II
Era uma vez
Era uma vez:
A paixão de uma parede
E de um sapo que a pinta;
Quando ela tinha sede,
Ele pintava uns nenúfares de tinta.

A parede soprava cheiro
De flores e de jardim,
Mas por um engano feiticeiro
Soprou ao sapo e ao jasmim.
[que paixões tão loucas,
Que surgem como alecrins!]

O sapo e o jasmim
Agarraram-se àquela loucura
E construíram, de alecrim,
Um quadro e uma moldura!
[e viveram felizes para sempre].

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